Carta de Apoio

23/03/2023 14:36

 Carta de Apoio à Chapa 2 – Assinatura ♦

Lista de Apoio – CFH Vivo e Plural!

Compreendemos que os últimos anos foram traumáticos para a História e a Sociedade Brasileira. Passamos por ataques sistêmicos e organizados aos princípios basilares de nossa democracia, com a consumação de violências de gênero, de classe e racistas. A Pandemia escancarou o peso lúgubre de nossas desigualdades e preconceitos, com um culto à morte partindo da cabeça do Governo Federal. Em especial os indígenas, os movimentos negros, os coletivos de lutas LGBTQIA+, as mulheres, as populações tradicionais, os ambientalistas, os trabalhadores precarizados, os estudantes e os moradores das periferias das cidades brasileiras foram abandonados à sua própria sorte, negligenciados em sua dor e sofrimento. Ainda padecemos muito do resultado dessa necropolítica consciente e espúria.

Nesse contexto desesperador, a Filosofia, as Ciências Humanas e as Ciências da Terra foram um alvo privilegiado. Autoridades da Presidência da República e do Ministério da Educação fizeram piadas de nossas áreas do conhecimento, promovendo vendilhões e charlatões aos postos de ideólogos do ódio. A boiada passou libertando mares de lama tóxica que envenenou rios e destruiu vidas e sonhos; agrotóxicos foram incessantemente liberados, temperando a nossa comida cotidiana com venenos feitos em escala industrial; professores e professoras foram apontados como inimigos, taxados como violentadores e postos em desconfiança; a Ciência foi aprisionada no mesmo movimento punitivo que vitimou Angela Davis e Galileu. Coroando o processo de destruição, o Museu Nacional sucumbiu em uma noite de fogo, quase como uma metáfora de um país que através das altas labaredas, se firma como a pátria da delicadeza perdida.

Todavia, dentro dos escombros do Museu Nacional, sobreviveu Luzia, o mais antigo fóssil encontrado no Brasil e nas Américas. Essa mulher ancestral, resistente como a nossa terra e nosso povo, nos afiançou esperança. Seguimos atravessando tempestades, mas com luzes – de Luzia! – no horizonte!

“Ninguém solta a mão de ninguém!”. E o CFH não soltou e não soltará. Trabalhou durante a pandemia para minimizar os traumas, dores, dificuldades e sofrimentos. Atuou com valentia nos órgãos de representação política formais e não formais, ocupando espaços e interferindo nos debates públicos. Nossa comunidade plural e diversa sofreu e sofre, mas continua viva, resiliente e resistente. Nós do CFH tivemos ampla e decisiva participação na eleição de uma nova reitoria, comprometida com os princípios que aqui defendemos, e simbolicamente também subimos aquela rampa do Palácio do Planalto no dia 1 de Janeiro de 2023!

Partindo do acúmulo de discussões e ações de um coletivo que vive, pensa e ama o CFH, compreendemos que os próximos quatro anos serão ainda de grandes desafios. Teremos que reconstruir muitas políticas públicas destruídas no governo passado, repactuar premissas básicas da vida política e conservar-se na resistência aos ditames autoritários e preconceituosos que infelizmente ainda permanecem castigando nossa sociedade.

Para o enfrentamento destes desafios, acreditamos profundamente no nobre papel da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade Brasileira, com especial atenção ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas, o nosso querido CFH.

CFH ocupa um espaço singular dentro da UFSC. É o coração da instituição, vibrante, vivo e plural em todas as suas idiossincrasias, tensões e potencialidades. Aqui temos a oportunidade de pensar e repensar os lugares da memória, as vicissitudes do tempo, as dinâmicas sociais, as diversas faces da política, os contornos das culturas e as trajetórias das identidades. Trazemos, orgulhosamente, o nome da Filosofia e das Ciências Humanas em nossa nomenclatura, marcando dentro de nossa universidade o lugar das humanidades com reflexão acadêmica crítica e socialmente responsável. O CFH é também um Centro com Programas de Pós-Graduação de excelência. Nós não somos apenas um Centro plural, que milita pela inclusão, em que reina o espírito público e o antifascismo. Somos também uma unidade da UFSC que produz conhecimento de altíssimo nível e que reiteradamente emplaca pesquisadoras e pesquisadores em ótimas colocações de rankings nacionais e internacionais. Em síntese, defendemos um CFH ativo para acolher e dar voz às demandas excluídas e das minorias, orgulhoso de sua posição como um produtor de saberes acadêmicos variados e consciente do seu papel dentro da UFSC e da sociedade brasileira.

Em Santa Catarina, estado diverso e belíssimo, mas repleto de contradições e flertes com autoritarismos, as contribuições do CFH são incomensuráveis. Além de formar excelentes profissionais nos nove cursos de graduação (em turnos, habilitações e modalidades diferenciadas) e nos nove programas de pós-graduação, o Centro publica dezenas de periódicos, comporta muitos laboratórios de pesquisa, sedia institutos interdisciplinares, fomenta movimentos estudantis e contribui com investigações variadas e inúmeros projetos de extensão. Acreditamos também que nossa diversa comunidade pode e deve interferir no debate público, propondo reflexõesproblemáticas e ideias que contribuam para a construção de uma sociedade menos desigual econômica e socialmente e ao mesmo tempo mais orgulhosa da sua diversidade racial, cultural, religiosa e de gênero. O combate ao racismo estrutural e institucional e às formas de assédio que marcam a História do Brasil, assim como as intervenções no ambiente político brasileiro, são cooperações que o nosso Centro deve aprofundar.

Reconhecendo tais desafios, apresentamos a Chapa 2: CFH Vivo e Plural, que se compromete a permanecer na defesa inegociável das seguintes premissas:

1. A defesa política e institucional do caráter público, gratuito, democrático e de qualidade da UFSC;

2. Atuação em um contexto de recuperação e reconstrução de instituições plurais, democráticasantirracistas, republicanas e atentas ao adoecimento psíquico;

3. Fortalecimento dos laços da UFSC e do CFH com a sociedade;

4. Compreensão do lugar especial ocupado pelo CFH dentro da UFSC, de Santa Catarina e do Brasil;

5. Respeito às especificidades dos departamentos, dos cursos e dos segmentos que constituem o CFH.

Compreendemos como muito positivos os avanços perpetrados por seguidas gestões e pelas contribuições de nossa comunidade. Destacamos como construção valorosa a qualidade e o comprometimento da equipe de servidores da Direção, a defesa do CFH e da universidade pública dentro dos órgãos colegiados, como também a institucionalização de processos e trâmites internos balizados pela máxima “o público em público”. É nosso desejo que a direção continue nesse caminho, mas que volte urgentemente seus olhos aos novos desafios na busca por soluções criativas para as necessidades cotidianas e emergenciais do CFH. Apoiamos uma nova gestão orgulhosa do seu passado, mas igualmente honrada por contar com os/as novos/as discentes, docentes e TAEs.

Para tanto, apresentamos a candidatura de Alex Michele à direção, novos rostos em uma UFSC e um CFH igualmente novos. Convidamos a comunidade a nos auxiliar nessa caminhada com a Chapa 2: CFH Vivo e Plural que visa tornar o nosso centro um espaço de construção de propostas inclusivas, plurais e que façam a diferença para a UFSC e a comunidade em geral. Sonhamos com um CFH cheio de arte, de vida, de política e de conhecimento. Um CFH como um lugar de afetos e sensível à saúde mental de discentes, TAEs e docentes. Acreditamos que juntos vamos edificar um CFH melhor e mais inclusivotransformado em um ambiente de escutaacolhedor e consciente do seu papel histórico.

Um CFH que permanece Vivo e lindamente Plural.

Venha conosco!

 Chapa 2: CFH Vivo e Plural, representados pela candidatura de Alex Degan para diretor (Departamento de História) e Michele Monguilhott para vice-diretora (Departamento de Geociências). ♦

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